Que tal se,
ao invés de nos perguntarmos "Qual é o custo de tornar isso acessível?" nos
perguntássemos, "O que há de tão especial nesta situação a ponto de justificar
a exclusão?"
Historicamente,
a acessibilidade foi o bordão de um movimento político surgido a partir da era
dos direitos civis nos anos 1970. A inclusão é sua filha - um objetivo que
reflete uma rede globalizada, na qual a liberdade de movimento e a participação
integral de todos é algo esperado - e reverenciado enquanto direito.
Economicamente,
a inclusão expande o seu mercado. Ela faz sentido como um negócio bem-sucedido.
A propaganda convence o consumidor de que ele precisa de seu produto - quer ele
precise ou não. Criar um produto que comunique, à primeira vista, a ideia de
que é utilizável por um consumidor em potencial faz com que o produto anuncie a
si mesmo. Os consumidores que, via de regra, são deixados de lado tendem a demonstrar
menos entusiasmo em suas lealdades quando descobrem que uma empresa faz um
esforço acima da média para satisfazer suas necessidades. Pense no sorriso de
uma criança com deficiência quando, ao perceber que o playground permite que
ela seja incluída também, corre para brincar nele. Os consumidores adultos não
são muito diferentes!
Enquanto a
acessibilidade é passiva - deixa a porta aberta, sem obstáculos no caminho - a
inclusão ativamente convida você a entrar e a participar da rede humana além da
passagem desimpedida. A acessibilidade vê coisas e espaços. A inclusão vê a
vida humana.
A
acessibilidade olha para trás. Ela percorre meio caminho na direção de padrões
ultrapassados e artificiais a respeito do que - e de quem - é "normal". A
acessibilidade, com frequência, torna-se "mera adequação", uma obsessão com
listas, um receio de que as pessoas com deficiência representem problemas na gestão
de riscos. Enquanto desliza de
marcha-ré por esse escorregador, a
acessibilidade aceita o desempenho no padrão do "menos pior" - e tem como
objetivo apenas o mínimo que possa ser configurado conforme o acordo político
da legislação, os regulamentos e a obediência às normas. A acessibilidade
estabelece um piso, mas frequentemente parte do pressuposto de que o teto está
além do alcance.
A inclusão
diz respeito à comunidade
A inclusão olha para a frente. Ela envolve o acolhimento dos
recém-chegados por parte daqueles já privilegiados pelo acesso a um bem social
em particular. Ela é a resposta hospitaleira - o sinal de uma comunidade
saudável.
Enquanto a mera acessibilidade falha ao deixar as crianças com
deficiência timidamente às margens de um playground bem-intencionado, a
inclusão dá um passo à frente, muitas vezes além do design físico, e educa a
comunidade quanto ao potencial do design.
O impacto positivo de um playground sobre uma comunidade pode ser
facilmente medido. A inclusão desafia a comunidade a não deixar de medir o
impacto do bom design sobre os membros dessa mesma comunidade que costumavam
ser excluídos. A inclusão vai além das simples dimensões da infraestrutura
física e registra o aumento do capital social, bem como, ao fazer isso, convida
novos membros da comunidade a participarem plenamente.
O Instituto para o Design Centrado na Pessoa, em Boston, explica o modo
pelo qual o Design Universal (moldado no conceito da inclusão) vai além do
simples acesso:
O Design Universal é
um framework para o design de espaços, objetos, informação, comunicação e
políticas utilizáveis pelo maior número possíel de pessoas, operando na mais
ampla gama de situações, sem um design especial ou separado. O Design Universal
é, simplesmente, o design, centrado na pessoa, de tudo, com todos em mente.
O Design Universal é
também chamado Design Inclusivo, Design para Todos e Design para o Ciclo da
Vida. Ele não é um estilo, mas sim uma orientação para todo processo de design
que parta de uma responsabilidade para com a experiência do usuário.
O Design Universal e
o design ecológico são, confortavelmente, dois lados da mesma moeda, mas em
diferentes estágios evolucionários. O design ecológico tem seu foco na
sustentabilidade ambiental, e o Design Universal na sustentabilidade social
(fonte: www.adaptenv.org).
Design
Universal não significa "tamanho único". Um objetivo desses seria impossível.
Mesmo no ciclo da vida de uma única pessoa, a estatura, a habilidade e os
desejos mudam. Por isso, alguns preferem o termo "Design Inclusivo" para
indicar que a inclusão torna socialmente sustentável a melhor acessibilidade,
ao permanecer intensamente engajada na solução de problemas com aqueles em desvantagem
quanto ao que passa por normal.
Onde mais,
exceto num playground inclusivo, os pais das crianças temporariamente
não-deficientes podem aprender a lidar com os inevitáveis arranhões, torções e
braços quebrados da infância? Haveria um local de encontro mais natural para
esses pais se beneficiarem do conhecimento prático e da resiliência de pais
cujos filhos têm deficiência?
E quanto
àqueles tentados a justificar a mera acessibilidade devido a fundos
insuficientes? Ao argumentar com aqueles que controlam as despesas, responda com
os custos de manter áreas de recreação "especiais" separadas, segregadas e
estigmatizadas.
Em tempo de
eleição, lembre os tomadores de decisões do valor de se ter constituintes
(previamente ignorados) com uma lealdade entusiástica. Playground também dá
votos.
A
acessibilidade é um fazer para - uma
tarefa do século XX. A inclusão é um fazer com
- uma visão do século XX1. Qual das duas abordagens torna as comunidades mais
fortes?
Scott Rains escreve sobre viagem e outros assuntos
de interesse para as pessoas com deficiência. Seu trabalho aparace em muitas
publicações e no site RollingRains.com. Ele é o fundador do fórum global sobre
turismo inclusivo Tour Watch e trabalha em todo o mundo como um defensor do
turismo inclusivo. Seu email é srains@oco.net.
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