Turismo em Moçambique (Portuguese)

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"Se olhar para as principais referências sobre o turismo moçambicano, a nível mundial, poderá notar que as maiores e melhores revistas sobre turismo fazem elogio àquilo que acontece no país"

O governo definiu como um dos objectivos do quinquénio tornar Moçambique um destino turístico de classe mundial. Ao fim destes cinco anos, já se pode dizer que moçambique "é um destino turístico de classe mundial?

Posso dizer que Moçambique é um destino turístico de referência a nível mundial. O país desenvolveu um segmento de taxa de densidade de alto rendimento, que permite desenvolver empreendimentos de luxo, mas com pouca pressão de volume de pessoas que se deslocam para lá. Trata-se dum produto virado para um segmento muito específico, que é daqueles turistas que seleccionam com muito rigor o local onde pretendem ir, pretendem ter sossego, querem ter tranquilidade, contacto com a natureza e querem ter uma relação muito intensiva com as comunidades e pesssoas que se encontram no local. Desenvolvemos e conseguimos posicionar-nos. Se olhar para as principais referências sobre o turismo moçambicano, a nível mundial, poderá notar que as maiores e melhores revistas sobre turismo fazem elogio àquilo que acontece em Moçambique, particularmente no arquipélago das Quirimbas. Já fazem referências ao Niassa; ao arquipélago do Bazaruto, onde temos estâncias de belíssima qualidade; e também à cidade de Maputo devido à sua actividade muito vibrante, à característica muito especial da relacão entre o turista e a população local, bem como o negócio informal.  neste sentido, podemos dizer que moçambique é um destino de referência a nível mundial.

Uma das constatações do plano estratégico para o desenvolvimento do Turismo 2004/2013 era de que a imagem e o posicionamento de Moçambique como destino turístico permaneciam obscuros, muito por força de falta de órgãos direccionados para a realizaçao de actividades de marketing  e a fraca ou a quase inexistência de estratégias sectoriais de marketing. Neste mandato, o Governo aprovou o plano nacional de marketing turístico, com o objectivo de inverter este cenário. Qual tem sido o real impacto na mudança de percepções sobre o país no mundo?

Tenho que dizer que a nível mundial Moçambique deixou de ter imagem de guerra, fome e carência. Passou a ser um país alegre, um país de referência. As pessoas quando falam da cidade de Maputo dizem que é um país alegre, onde as pessoas têm uma boa relação com o visitante; olham para as ilhas e arquipélagos e até fazem lua de mel nesses sítios. Portanto, é um país de muita alegria, de muita intensidade e que a imagem negativa que existia do país está desaparecendo (...), de tal modo que não devemos deixar de falar dos problemas que existem no país, porque não tentamos escamutear nada.

Que acções concretas estão sendo feitas no sentido de passar essa imagem positiva de Moçambique? De que forma esta sendo feito isso?

Nós temos estado a convidar jornalistas, no caso de turistas internacionais. Convidamos jornalistas para ambientação, isto é irem visitar vários destinos, terem uma interação com o povo moçambicano, alguns jornalista andaram mesmo no "chapa cem", para terem o sentido de convívio com o povo e sentirem como é  que é a vida real. Sentiram dificuldades, mas ao mesmo tempo sentiram alegria de uma vida muito espontânea e muito alegre, uma vida muito natural e não superficial, como muitos vivem em muitos cantos do mundo. Então, temos feito isso, através de férias internacionais, designadas de "Bolsa de Turismo". olhamos como principais mercados a África do Sul, o Indaba que é uma das principais bolsas do turismo a nível do continente africano; a nível da europa temos a bolsa de Lisboa, Espanha, Alemanha e a grande feira da Grã-Bretanha. Também temos participado nas feiras da China, o que significa que temos estado a procurar ampliar o alcance da nossa mensagem. Participámos também na feira da caça dos Estados Unidos, que é uma feira muito especializada para vender o produto de caça. Temos estado a fazer publicações de DVD e uma série de elementos que distribuímos, que permitem que as pessoas possam ter uma aproximação com Moçambique.

É possível a partir de qualquer parte do mundo saber o que é que é Moçambique e que potencialidades oferece?

É possível. importa dizer que já não é só o governo a fazer isso. Nós já temos várias entidades privadas a fazer isso. Se alguém for à internet e clicar Moçambique terá informações imensas e de boas coisas. Se quiser ser mais específico acerca de Moçambique turismo há de ter, inclusive, os destinos, os preços e até acesso ao tipo de quartos que lá existem, o ambiente dos estabelecimentos turísticos (...). Recentemente, nós lançámos o Geomap para as províncias de Niassa, Cabo Delgado e Nampula. O que é o Geomap? É um sistema que permite visualizar fisicamente, através do papel, o mapa. Por exemplo, se dissermos Mandimba, podemos ver como é que é Mandimba em termos de configuração geográfica, podemos procurar saber que tipo de comida existe em Mandimba, podemos saber que tipo de dança existe, como é o povo, qual é a vida quotidiana, que tipo de animais existem e ficámos com uma impressão completa do país. Estamos a trabalhar para completar todo o país. Portanto, fizemos o modelo ou o projecto piloto através dessas três províncias e vamos procurar completar em todo o país.

De alguma maneira há um concenso de que o turismo tem um grande potencial de desenvolvimento em Moçambique, porém, também persiste a ideia de que esse potencial precisa de ser traduzido em produtos e serviços de qualidade aceitável. O que é que se fez durante esses cinco anos no sentido de se potenciar esses produtos e serviços para que sejam de qualidade?

Tenho a dizer que esta é uma das áreas onde temos estado a fazer muito esforço. Muito esforço porque houve uma explosão de estabelecimentos turísticos. Os quadros disponíveis nesta área, digámos que eram os mesmos, e começou a haver uma espécie de saque de quadros de um hotel para outro, de um lodge para outro, de um restaurante para outro e a formação não conseguia responder a essa procura, sobretudo, quando nós tivemos uma espécie de declínio. O Hotel Escola Andalucia começou a não ter a prestação que seria de esperar, contudo, tivemos uma participação do sector privado. Várias empresas privadas iniciaram a sua própria formação. encontrámos muitos estabelecimentos, mas não encontrámos a qualidade que seria de esperar, daí o grande esforço e a campanha que temos estado a fazer no contacto directo com os operadores. Temos estado a trabalhar inclusive com os sindicatos que têm sido os nossos grandes parceiros, no sentido de melhorar a qualidade dos serviços. Posso dizer que em alguns casos a falta de qualidade não é causada pela falta de conhecimentos, mas sim por um certo relaxamento. Um certo sentimento de que bem, as coisas ja estão feitas e eu já sou chefe de sala, do restaurante, director das comidas e bebidas deste hotel, então não me esforço mais. Neste momento, o que nós fizemos foi trabalhar no sentido de definição de carteiras profissionais para os trabalhadores da indústria de hotelaria, e, actualmente, estamos a caminhar para a aprovação final. . Reconheço que este é um grande desafio, teremos que trabalhar muito nesse sentido, e a sociedade tem um papel muito importante, que é de exigir em todo o sítio a qualidade.

 

MARCA MOÇAMBIQUE

A MARCA PROCURA RETRATAR A NOSSA SOCIEDADE

Também ao longo deste mandato foi lançada a marca Moçambique. Qual é o real alcance da criação desta marca? Quais são os públicos alvos? O que é que se pretende que esses públicos alvos percepcionem dessa marca?

Primeiro, dizer que o primeiro público alvo é o próprio moçambicano, porque nós procuramos retratar a nossa sociedade, o nosso país e a nossa riqueza a partir daquele logo, que é a marca. Mas também através de mensagens do logo.

Afinal, o que está subjacente nesta marca?

Em termos de marca ainda estamos no processo de comunicação. Tivemos um processo de comunicação anterior que foi muito discreto, que visava perceber das pessoas o que é que pensavam, o que é que sentiam do seu país. Então, toda  essa opinião veio gerar a marca. Neste momento, temos que devolver a marca ao público moçambicano.

Normalmente, quando se fala de turismo no país, a ideia a que se remete é de turismo para estrangeiros. Será que o nosso turismo em Moçambique está orientado em grande medida para os estrangeiros e menos para os nacionais?

Tenho que dizer que não está. Nem que estivessse orientado estaria constantemente a ser contrariado, porque o moçambicano gosta de viajar, de visitar familiares. nos estamos em constante movimento e quando saimos de um lugar para o outro estamos a fazer turismo (...). Se procurar neste momento fazer reserva para o fim-do-ano em alguns estabelecimentos hoteleiros poderá ter dificuldades, e as dificuldades não serão porque vieram estrangeiros. Mas porque os moçambicanos teram feito reservas.  O problema é todos e não só de Moçambique. nós queremos contrariar, não queremos dizer que o moçambicano deve deixar levar por isto, é que as estatísticas do turismo doméstico são difíceis a nível mundial. Se eu sair daqui para Inhambane tinha que colocar um poste para verificar, mas através do senso nacional, portanto, - este senso que nós terminamos e que está a ser avaliado -, o inquérito vai dizer quem tem viajado para onde, como é que ficamos um pouco com aquilo que é o turismo doméstico.

Coloco-lhe esta questão com alguma insistência porque uma das linhas de política definidas pelo governo para o sector do turismo no seu plano quinquenal é a promoção do turismo nacional como veículo de consolidação da unidade nacional e da valorização do património natural e cultural. Que acções concretas terá este turismo expontâneo que as pessoas fazem?

Bom, acções, umas já estão no terreno e estão a produzir efeitos, mas nós procuramos estimular e motivar o moçambicano a movimetar-se. Os festivais culturais que foram desenvolvidos com apoio de grandes empresas nacionais em Inhambane, Wimbe, na Ilha de Moçambique, no lago Niassa, são uma forma de estimular as pessoas a irem para lá. Portanto, nós desenvolvemos um festival e o resultado é : milhares e milhares de pessoas se deslocarem para um determinado ponto. Claro, quando agente promove um festival não diz: sabe de uma coisa é para promover turismo. Mas o que acontece é que é efectivamente o turismo que lá acontece.

Isso é do ponto de vista de actividade. E do ponto de vista de medidas de políticas?

Nós estamos na fase de conclusão de "namoro" com o sector privado. E o "namoro" é este: é que o regulamento da indústria hoteleira e similares definem que poderá haver preços especiais para moçambicanos, mas o governo não tomou uma decisão administrativa para esse efeito. O que se indicou é que se deveria trabalhar com o sector privado para se definir os termos.

Turismo é sustentável no país

O Turismo em Moçambique é um sector em franca expansão, com níveis de crescimento assinaláveis e que muitas vezes supera as expectativas do governo. Atendendo que um dos objetivos do governo neste mandato era de desenvolver um turismo responsável e sustentavel, o que é que está sendo feito de modo a que esta bolha não fuja ao controlo e resulte em efeitos nefastos?

Esta é uma das grandes preocupações do desenvolvimento do turismo em qualquer parte do mundo. nós podemos ter números astronómicos, mas estaríamos a fazer aquilo que algumas pessoas chamam de turismo de banana. é um turismo de massas, mas quando se fala de massas não é no nosso sentido popular que é de ter muita gente e pessoas sem muitas condições, que se deslocam a um determinado país, e o que mais deixam nesse país são problemas e não riqueza. então, por um turismo sustentável o que e que fizemos? Vemos o trabalho como uma máquina integrada, completa. Nós não desenvolvemos nenhum empreendimento turístico sem o estudo de impacto ambiental. o impacto ambiental pode ser veto para um determinado projecto. 

Na dimensão social, o que é que se tem estado a fazer?

os empreendimentos quando acontecem num determinado local procuram fazer a integração das comunidades, por exemplo, Gorongosa tem feito um grande trabalho para as comunidades locais, é o nosso parque, é um parque do estado, é uma gestão conjunta com o sector privado, mas o estado está la.

Fonte:
O País Online

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